A etnografia é a ciência que estuda os povos do ponto de vista dos seus costumes, da sua mentalidade, do seu modo de vida, da sua cultura, desde as suas mais remotas origens até aos nossos dias.
Em termos práticos, podemos considerar o património etnográfico como o conjunto de objetos, atividades, usos, costumes e tradições que caracterizam o modo de viver de uma certa comunidade na sua relação entre si e com o ambiente em que se insere.
Como fica evidenciado, o campo da Etnografia é tão vasto que dificilmente se identificam os seus limites. Desde logo o artesanato e tudo o que concorre para a sua produção - as actividades, utensílios e tradições que perduraram durante séculos, algumas das quais desapareceram e outras que se encontram em vias disso. Deu-se lugar à mecanização da agricultura, à transformação da indústria, perdeu-se a memória das histórias, dos despiques, dos provérbios, das lendas...
Numa história etnográfica não nos interessam apenas peças como os arados, trilhos, forquilhas, teares...mas também as máquinas surgidas na agricultura no primeiro quartel do séc. XX, o fabrico do pão, o ciclo do azeite, com o registo das técnicas de trabalho usadas desde a apanha da matéria prima até à sua transformação, sem esquecer os moinhos, os lagares e todos os materiais a eles associados.
Igualmente, não devemos deixar de registar outras atividades locais, algumas delas ligadas ao rio e ao mar, como a pesca, com as suas tradições, usos e costumes, hábitos alimentares e vestuário; dos transportes fluviais, com as suas embarcações e técnicas relacionadas com esta actividade. Podemos incluir ainda o artesanato e atividades correspondentes, os trajes e enxovais, as mezinhas, benzeduras e maldições, … enfim a nossa história como Alentejanos do litoral!