Eduardo Dâmaso
Eduardo Dâmaso nasceu e cresceu no seio da sua família em Odemira, em 1962. Aqui estudou, jogou futebol federado pelo clube da terra - o Sport Clube Odemirense e fez dezenas de amigos, que ainda mantém.
Em 1978, concluiu o 2º ciclo (antigo 5º ano) e teve de partir, como tantos jovens deste concelho, pois o prosseguimento de estudos a isso o obrigava – em Odemira, na década de 70, não era possível ir além do atual 9º ano.
Setúbal foi o primeiro passo desta nova fase da sua vida, ingressando aí no ensino Secundário, e pouco depois na sua primeira experiência jornalística, primeiro como colaborador e depois como jornalista, no jornal regional O Setubalense, tornando-se jornalista em 1981. Concluído o Ensino Secundário, rumou a Coimbra, onde ingressou em Direito, continuando a sua atividade jornalística na agência noticiosa ANOP e na Rádio Universidade de Coimbra, seguindo-se a Agência Lusa.
O curso de Direito ficou para segundo plano, deixando-se absorver pela paixão da comunicação social e, perante novos desafios profissionais, rumou a Lisboa. Desde então e, já em Lisboa, continuou na Agência Lusa, passou pelo Expresso, exerceu cargos de direção no Diário de Notícias, Público, Correio da Manhã e de comentador na RTP e CMTV, participou em dezenas de fóruns e publicou centenas de artigos de opinião. É diretor da revista Sábado desde abril de 2017. É também diretor-adjunto da CMTV.
Eduardo Dâmaso confessou recentemente que “viajou pelo mundo, mas o seu lugar é Odemira”. O entusiasmo pelos princípios e ideias em que acredita, pelas realidades que conheceu, pelas pessoas, pelos sítios, pelas memórias que o invadiam não podiam ficar apenas para si, sentia que tinha de o partilhar e a forma para o melhor fazer seria através da literatura.
É autor do livro de investigação jornalística “A Invasão Spinolista”, que foi distinguido em 1996 com o prémio de reportagem Ler/Círculo de Leitores, bem como do “Portugal, que Futuro?”, com Henrique Medina Carreira, em 2009.
Em 2019, publicou o Livro “Corrupção: breve história de um crime que nunca existiu”, uma obra de sua autoria que reúne os casos mais mediáticos em Portugal nos últimos 40 anos e realça a falta de meios e vontade política para combater a corrupção e o tráfico de influências, tendo sido apresentada pelo próprio em Odemira, na Biblioteca José Saramago, com sala cheia, em novembro de 2019.
Nessa ocasião, Eduardo Dâmaso declarou que "O livro é um testemunho de 38 anos de trabalho jornalístico. Procura evidenciar a falta de vontade política em construir um sistema global e coerente de combate e prevenção da corrupção”.
Para Eduardo Dâmaso “a justiça e o jornalismo são ambos instrumentos essenciais do único poder que têm os que não têm poder, considerando que o jornalismo sério tem de procurar o padrão da sua independência”.
Homem simples, de trato fácil, frontal, perseverante e de persistência sem limites. Um lutador por aquilo em que acredita, apaixonado pelo Jornalismo livre e de Investigação.
Uma das investigações jornalísticas de Eduardo Dâmaso deu origem a um célebre acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem – «Campos Dâmaso contra Portugal» – que fixou jurisprudência em matéria de prevalência do interesse público sobre o segredo de justiça e a reputação de terceiros.
Com a sua paixão, profissionalismo e dedicação, Eduardo Dâmaso tem contribuído de forma assinalável para a afirmação de um património que é muito nosso, o Jornalismo isento e “sem papas na Língua”, confessando-se continuar Odemirense de “Alma e Coração”.
Constitui, assim, um imperativo de Justiça que a Comunidade reconheça e valorize, publicamente, o papel e a ação que este ilustre Odemirense tem demonstrado ao longo da sua vida e que prossegue, constituindo um exemplo de grande Coragem, Mérito e Altruísmo, pela excepcional relevância da sua paixão e dedicação à Liberdade de Imprensa, pelo que o Município de Odemira atribui a Medalha Municipal de Mérito a Eduardo Dâmaso, pelo reconhecimento da excepcional relevância do seu trabalho e obra, prestigiando Odemira ao serviço do Jornalismo com ética, valores e frontalidade “doa a quem doer”, e por tudo isso, ao serviço da verdadeira Liberdade de Imprensa, um dos pilares fundamentais da Democracia que Abril nos deu.
Odemira, 25 de abril de 2021

