António Manuel Nobre Louçã
O Município de Odemira atribui a Medalha Municipal de Mérito a António Manuel Nobre Louçã.
António Manuel Nobre Louçã nasceu em 1949, em São Teotónio. O seu pai era agricultor e a sua mãe professora. Frequentou o Liceu Nacional de Setúbal e ingressou no Instituto Superior Técnico, em engenharia eletromecânica. A meio do Curso decide trocar a engenharia por uma carreira na Força Aérea, como navegador. Esteve um ano nos Açores em exercícios de formação e, no âmbito das funções, durante a guerra colonial realizou vários resgates de militares portugueses feridos na Guiné.
Problemas de saúde levaram-no a regressar a São Teotónio para se recuperar e obrigaram-no a procurar outros caminhos, diferentes daqueles que tinha decidido abraçar. Numa região onde as possibilidades de emprego eram muito escassas e reduzidas, como precisava de trabalhar, aceitou ir para os armazéns do Paga-Pouco, em Tavira, onde a sua capacidade de trabalho e determinação se evidenciaram.
No final da década de 1960, a construção do perímetro de rega do Mira impulsionou fortemente o aparecimento de novas formas de agricultura, que alteraram as dinâmicas da região e do concelho de Odemira, trazendo grandes oportunidades a quem quisesse investir na agricultura.
Oportunidade que a Caixa de Crédito Agrícola de São Teotónio, uma pequena dependência que não tinha uma estrutura profissional aproveitou, no sentido de desenvolver a sua área de negócio. É nesta instituição, onde o seu pai tinha pertencido aos órgãos sociais que, na década de 1980, António Manuel Nobre Louçã é chamado a assumir responsabilidades.
Homem simples, determinado, empreendedor e de persistência sem limites, empreendeu uma notável dinâmica direcionado para o crescimento da Caixa de Crédito Agrícola de São Teotónio, na convicção de que tal era essencial para elevar a imagem, preparação e capacidade de intervenção nos desafios do dia-a-dia daquela instituição.
A sua capacidade de liderança e o seu forte sentido de responsabilidade levaram a que deixasse uma marca indelével na história desta instituição e no concelho de Odemira, pelo modo como desenhou parcerias até então difíceis de concretizar com a cooperativa local, com a câmara municipal, com a direção regional de agricultura, pelo modo como entusiasmou agricultores a fazer investimentos sendo a rede que eles precisavam que fosse, colocando à sua disposição apoio técnico para candidaturas a programas e incentivos ao desenvolvimento.
Foi o grande impulsionador da criação da FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira, cuja primeira edição, em 1990, reuniu no mesmo recinto mostras de agricultura, pecuária, artesanato, turismo e gastronomia da região.
António Manuel Nobre Louçã presidiu à direção da Caixa de São Teotónio durante 40 anos. Nessas quatro décadas foi capaz de oferecer dignidade, modificar o paradigma, a ambição e os resultados daquela instituição, designadamente registar a Caixa de Crédito Agrícola de São Teotónio como a caixa sede do concelho de Odemira, e passar a dispor de sete balcões, distribuídos entre o Concelho de Odemira e de Aljezur.
Passou pela Caixa Central, durante 15 anos, e fez parte do Conselho Geral de Supervisão, fruto de uma alteração no modelo de governação daquela instituição, o que evidencia bem a sua determinação, capacidade de trabalho e perfil de liderança.
Constitui, assim, um imperativo de Justiça que a Comunidade reconheça e valorize, publicamente, o papel e a ação que este ilustre Odemirense tem demonstrado ao longo da sua vida, pelo reconhecimento da excecional relevância do seu trabalho em prol do desenvolvimento do concelho de Odemira, pelo que o Município de Odemira atribui a Medalha Municipal de Mérito a António Manuel Nobre Louçã.
Odemira, 8 de setembro de 2026

